Uma Morte Injusta

Paixão do Senhor (Ano B)
Hebr 4, 14-16; 5, 7-9

P. Ricardo Cardoso | Seminário Menor de Évora

Desafio-te:

Faz silêncio para contemplares o Amor de Deus!

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Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.
Palavra do Senhor.

(Hebr 4, 14-16; 5, 7-9)

Nos últimos tempos parece que a nossa sociedade já sabe conviver com as experiências de drama, de morte, de destruição e, até mesmo, de injustiça. Até parece que estamos preparados para celebrar a Paixão de Jesus, que calha à sexta-feira Santa, como nós sabemos. No entanto, a injustiça, a morte, a destruição, a perda jamais poderão ser uma realidade que conforme os nossos corações. No caso de Jesus esta realidade não só é revestida de todo o significado que ela tem porque é o retirar a vida a alguém, mas também porque esta vida foi entregue totalmente, despojadamente, por nós, com o interesse apenas da salvação.

Ora, celebramos a sexta-feira Santa e, com isto, a Paixão de Jesus deverá ser um convite para cada um de nós refletir não só sobre o dom da vida mas, por outro lado, sobre aquilo que parece, ou aparentemente parece, o dom da morte. Falar da morte não estamos apenas a falar de uma morte física, ainda que em Jesus tenha acontecido isso. Estamos também a falar de uma entrega e a morte de Jesus, a Sua própria Paixão, é uma entrega. Diz a Epístola aos Hebreus, Ele que tinha sido e que foi igual a nós em tudo, exceto no pecado, que era um justo, entrega-se por todos aqueles que são injustos, que somos todos nós.

E, portanto, é injusto que um justo morra pelos injustos. Quase brincando com as palavras se formos a ver, a morte deveria ser apenas um privilégio de quem é injusto e, no entanto, Jesus assume tudo isso, para Ele mesmo manifestar um dom de amor. A Paixão de Jesus é isso mesmo. É um dom de amor. O amor levado ao extremo. O amor que gera vida. O amor que permite que morra para gerar vida. O grão de trigo, que lançado à terra, dá muito fruto.

Nós, também, olhando para a nossa própria vida, pensamos que não morremos ou que a experiência do dia-a-dia não nos leva a morrer. Mas cada minuto, cada momento, é a possibilidade que Deus nos dá para morrermos para coisas pequenas, que são nossas, para atitudes próprias nossas, às vezes até egoístas, de modo a podermo-nos dar com mais projeção, com mais intensidade e com mais plenitude, não só a Deus mas sobretudo aos irmãos. Por isso, a Paixão de Jesus deve ser um verdadeiro enamoramento. Estar apaixonados. E estar verdadeiramente apaixonados é entregar a vida com um ideal que apenas se compreende diante da cruz de Cristo.

P. Ricardo Cardoso

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