Um exemplo para ser filho

Batismo do Senhor (Ano B)
Mc 1, 7-11

P. Ricardo Cardoso | Seminário Menor de Évora

Desafio-te:

Examina durante o dia como te comportas como filho de Deus.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».
Palavra da salvação.

(Mc 1, 7-11)

Estamos tão habituados ao tema dos baptismos, quer por termos sido batizados quer por irmos ao batismo de alguém, que quando chegamos à celebração do batismo de Jesus corremos o risco de o viver com uma certa inércia. Na verdade, o Batismo de Jesus, à partida, parece ser apenas um Batismo normal. No entanto, é necessário ver o que está por trás de tudo isto.

Sabemos que quem batiza Jesus é, precisamente, S. João Batista. Ele batiza, mas sabemos também nós, que o batismo que João Batista dava e conferia, era um batismo de penitência, um batismo para remissão dos pecados, tirar os pecados. Sabemos que Jesus, na encarnação, ou seja, ao fazer-se homem, Ele fez-se homem em tudo, exceto no pecado. Assim sendo, o batismo não tinha sentido. O baptismo de João não tem sentido. Mas, por ali, Ele começa a ser um exemplo para cada um de nós. Ele mostra-nos o caminho. O exemplo de Jesus é, sobretudo, para nos manifestar o sentido do batismo. E o sentido do baptismo é necessariamente o de nos sentirmos filhos de Deus. E, acima de tudo, tomarmos consciência de que o Pai eterno nos assume, nos aceita, nos considera como Seus filhos.

Às vezes ouvimos as pessoas falarem sobre ser filho de Deus: “Eu também sou filho de Deus.”. Quase como uma reclamação ou quase como um requisito. No entanto, ser filho de Deus deverá ser visto com uma outra ótica. E o batismo de Jesus faz-nos tomar consciência disso mesmo. Sentirmo-nos filhos de Deus, assumirmos esta filiação, sermos filhos, é fazermos o que os filhos têm próprio dos pais: ser parecidos em alguma coisa, sermos semelhantes em alguma coisa, imitá-lo nalguma coisa.

A celebração do Batismo de Jesus deve-nos levar a imitar o próprio Deus. Ser semelhante a Ele. Manifestar aquilo que Ele mesmo é. Por aí passa a nossa própria missão e daí, também, recebemos o ímpeto para irmos ao encontro do mundo. Este dia que celebramos, do Batismo de Jesus, deve-nos levar a assumir, humanamente, aquilo que são os requisitos próprios e que Jesus nos vai dando no Evangelho como sinais para saber ter uma atitude, comportamento e um coração de filhos.

O desafio que é feito, a partir deste Evangelho, para esta semana, é, sobretudo, um desafio para que sejamos capazes de, ao final do dia e durante o próprio dia, nos examinarmos acerca da forma como somos imagem, semelhança e parecidos com o próprio Deus.

P. Ricardo Cardoso

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