Procura-te

24.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 15, 1-10

P. Vitor Gonçalves | Paróquia de S. Domingos

Desafio-te:

O teu coração bate ao ritmo de Deus? Escolhe uma Obra de Misericórdia e põe-na em prática.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».
Palavra da Salvação.

(Lc 15, 1-10)

Neste Ano Santo da Misericórdia, estas parábolas do Evangelho de S. Lucas, no capítulo 15, são um modelo extraordinário deste amor extravasante que o Pai tem por nós. E, de facto, neste domingo, que também lembra uma data triste da nossa história recente da humanidade – os atentados de Nova Iorque com o derrube das Torres Gémeas – é uma ocasião renovada para também percebermos como é que estamos a exercitar esta misericórdia.

A ovelha perdida, a dracma perdida, o pai e os dois filhos – às vezes chamamos-lhe o filho perdido – é, de facto, um Evangelho que tem a possibilidade, em algumas comunidades, escutaremo-lo todo, noutras, provavelmente, só as duas primeiras parábolas. Mas elas, em si, manifestam, todas, uma atitude que é a atitude de Deus. Ele é o pastor, Ele é a mulher que procura aquilo que perdeu, Ele é o pai que experimenta os filhos um bocado perdidos, porque não é só um, são os dois, estão perdidos do seu amor.

E o que é que nós descobrimos com esse pai? Descobrimos um Pai que gasta-se à nossa procura, que nos dá liberdade, que aceita que nós, às vezes, nos percamos, mas não deixa de ter esperança, por um lado, na última parábola, do nosso regresso e até o de entrar na festa, ou então, naquelas duas primeiras imagens que toma a iniciativa de ir à procura.

Aquilo que se salienta sempre é a alegria. A alegria do encontro. Não apenas o encontro como uma ocasião para castigar ou para corrigir. Quantas vezes o estarmos perdidos já é experiência suficiente para correção, para percebermos que não estamos bem? Este pai é o pastor que põe a ovelha aos ombros, é a mulher que encontra a moeda e chama as amigas para fazer uma festa e é o pai que faz uma festa para estes dois filhos, para todos nós.

Ora, esse é o nosso grande desafio. É perguntarmo-nos até que ponto o nosso coração bate assim ao jeito do coração deste Pai. Como é que nos alegramos com os outros que não são simplesmente filhos de Deus, são nossos irmãos? É isso que o pai, no final da parábola, diz ao filho mais velho. Mas nós somos um bocadinho disto tudo. Às vezes, somos ovelhas perdidas nem sabemos bem como nos perdemos. Às vezes, estamos assim em situações que nos parece que não há saída. Outras vezes, estamos endurecidos porque achamos que Deus não nos fez tudo aquilo que queríamos. Qual é a grande certeza que daqui vem? É de que se nos abrirmos a Deus, Ele encontra-nos.

Mas é preciso fazer a nossa parte. Há uma parte de caminho que tem que ser também a nossa. E, por isso, neste Ano da Misericórdia, escutando este Evangelho, o grande desafio, o grande convite que lanço a todos nós, um bocadinho, nesta semana, é pegarmos naquelas Obras de Misericórdia… Se calhar já as sabemos todas de cor, pelo menos as corporais. Mas em relação às espirituais, que são tão práticas e tão concretas, escolhermos uma delas. Tem sempre a ver com alguém, certamente com algum irmão. E procurar pô-la em prática. Aí seremos já não só filhos, mas aprenderemos a ser como o Pai.

P. Vitor Gonçalves

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