Perfeito ou Pecador?

30.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 18, 9-14

P. Paulo Franco | Paróquia do Parque das Nações

Desafio-te:

E tu, onde é que tu te colocas? De pé, idolatrando-te a ti próprio ou reconheces onde está o verdadeiro Deus na tua vida?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Palavra da Salvação.

(Lc 18, 9-14)

O culto da imagem, hoje tanto em voga, não era diferente no tempo de Jesus. Claro, há dois mil anos não tínhamos redes sociais. Hoje, se calhar, utilizamos esses meios e tantos outros para nos apresentarmos como perfeitos e intocáveis. Há dois mil anos era no templo que se apresentavam os perfeitos e se apresentavam os pecadores, os intocáveis e os desgraçados.

Hoje, todos nós criamos, tantas vezes, uma ilusão acerca de nós próprios. Criamo-la e construímo-la na opinião dos outros. Transmitimo-la, passamo-la para fora de nós. Talvez para nos convencermos que somos, de facto, bons, que somos perfeitos… A ponto de não necessitarmos de mudar. A ponto de estarmos bem como estamos. A ponto de nos sentarmos, confortavelmente, na nossa história, na nossa vida… Às vezes nos nossos vícios… Às vezes, naqueles perigos que nos destroem interiormente.

É isso que Jesus quer mudar em nós. E apresenta-nos estes modelos que acabámos de escutar. O modelo dessa falsa perfeição, dessa ilusão diante da vida, desse perigo que é acharmo-nos não apenas perfeitos, mas o critério para a avaliação dos outros que estão à nossa volta. E o outro modelo, o modelo da simplicidade, o modelo da humildade, do reconhecimento da sua pequenez, de se achar, até, indigno. E, por incrível que pareça, escolhe esse modelo, esse modelo pequenino, fraco, para não dizer frágil, em detrimento da autossuficiência, da segurança pessoal. No fundo, em detrimento da idolatria de si próprio.

Para o fariseu, ele era o seu próprio deus. Para o publicano, ele colocava-se pequeno diante do verdadeiro Deus. E tu, onde é que tu te colocas? De pé, idolatrando-te a ti próprio, achando-te o maior, o critério para tudo, para a tua vida e até para a vida dos outros? Ou reconheces onde é que está o verdadeiro Deus na tua vida e, pequenino, te deixas fazer grande por Ele? É esse o desafio!

P. Paulo Franco

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