Pai Pródigo

4.º Domingo Quaresma (Ano C)
Lc 15, 1-3.11-32

P. Pedro Manuel | Paróquia de Boliqueime

Desafio-te:

E eu que personagem sou? O pai, o filho mais velho, ou o filho mais novo?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me toca'. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: 'Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores'. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. Mas o pai disse aos servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado'. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: 'O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo'. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: 'Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo'. Disse-lhe o pai: 'Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado'».
Palavra da Salvação.

(Lc 15, 1-3.11-32)

Olá a todos! O quarto domingo da Quaresma vem romper um pouco com a ideia e o ambiente de deserto que a Quaresma nos imprime e, naturalmente, impõe. E vem romper porque este é o domingo da alegria. Leatare! Alegra-te Jerusalém! Hoje, a Jerusalém sou eu e és tu. Somos a cidade que o Senhor visita para nos dizer que Ele quer ser, para cada um de nós, um verdadeiro pai pródigo. Nós somos os filhos. Nem sempre compreendemos a forma como o Pai nos ama e, muitas vezes, saímos do seu plano amoroso quando optamos por viver, de forma muito livre, a nossa vocação de filhos de Deus.

Na parábola do pai pródigo, o filho mais novo exige a herança a que não tem direito. E o pai responde-lhe com o coração que ama, dando-lhe o que não deve, esperando, naturalmente, que depois da tempestade das suas quedas, ele regresse à bonança da sua casa. Neste domingo, eu e tu somos convidados a viver a alegria deste reencontro: o filho que se perde, que faz do pecado a conjugação da sua vida e que não descobre, na graça do amor do pai, a beleza do caminho de regresso a casa. Não descobre porque o pecado o cega, porque, quando cai em si, o filho descobre-se verdadeiramente amado pelo pai.

Neste domingo, eu e tu somos convidados a esta atitude. À atitude de nos descobrirmos de tal forma amados que a nossa vida de pecado seja vida passada. Mas também somos convidados a olhar para a atitude do pai e a tentarmos perceber se, nas nossas relações uns com os outros, o perdão faz sentido. Ou ainda, se vivemos convencidos de que somos como filho mais velho, perfeito na forma, mas sem conversão possível porque não descobriu que trabalha e vive para seu pai e confunde o amor do pai com a justiça de um patrão.

O Pai é quem perdoa. Eu e tu somos os filhos sempre necessitados de perdão e sempre a desejar, cada vez mais, a alegria que nos vem do encontro da paz, no regresso à casa paterna. O tempo da Quaresma é, por isso, também, um tempo onde a alegria e a esperança se devem fundir e confundir e nos devem fazer regressar com amor e com muita fé ao coração do Pai que só pode amar.

P. Pedro Manuel

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