O Verbo Ver!

Natal do Senhor (Ano C)
Jo 1, 1-5.9-14

P. Tolentino Mendonça | Companhia de Jesus

Desafio-te:

Nesta semana, procura o rosto de Deus naqueles que te são próximos.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo, e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade.
Palavra da Salvação.

(Jo 1, 1-5.9-14)

Neste Natal do Senhor, nós temos como Evangelho a primeira página do Evangelho segundo S. João, chamado "O Prólogo". É um texto muito conhecido, muito lido, muito amado por toda a tradição dentro e fora da igreja e deixa um lastro inesquecível, uma marca inapagável, porque é um texto de uma profunda natureza poética.

Detenhamo-nos em quatro aspetos... O primeiro logo a palavra "verbo"... "No princípio era o verbo". Como traduzir esta palavra? Há duas sugestões que me parecem muito interessantes: uma é de uma filósofa contemporânea, Simone Weil, que diz que devíamos traduzir: "No princípio é a relação". E a segunda hipótese é de um grupo brasileiro de biblistas que diz que devíamos traduzir assim: "No princípio era o desejo de falar". Então quando ouvimos "No princípio era o verbo" temos de pensar numa coisa dinâmica, no desejo de Deus de vir ao encontro do Homem. Isso, de facto, é o segundo momento que é lembrar que é o próprio Deus que vem ao encontro do Homem em Jesus. Ele não é apenas filho do Homem. Ele é filho de Deus. Ele desde sempre existiu junto de Deus.

Mas a coisa mais extraordinária é, de facto, isso que está no centro do Evangelho: o verbo, o desejo de comunicar, o desejo de relação que Deus tem fez-se carne e habitou entre nós e nós vimos a Sua glória. Quer dizer o tempo do Natal: celebra a vizinhança de Deus. Deus é tangível. Nós podemos vê-lo porque Ele toma a nossa carne, toma a nossa condição, torna-se um de nós. E esta aproximação de Deus permite que cada um de nós se aproxime d’Ele com outra esperança, com outra confiança, com a certeza de que é amado.

Mas esta vinda de Deus acontece na liberdade humana e também o Evangelho diz-nos que nós podemos recusar Deus, podemos fechar-lhe a porta ou podemos acolhê-lo no nosso coração. Uma frase com que termina o Evangelho, é uma frase na qual vale a pena pensar: "Jamais alguém viu a Deus". Nenhum de nós viu Deus. Nós acreditamos n’Ele, buscamo-l’O, rezamos a Deus, celebramos a Fé... Mas a Deus nunca ninguém o viu. Mas quem amou Jesus, quem se aproximou do presépio, quem se ajoelhou diante deste Deus feito Homem, quem sentiu no fundo da sua alma, no fundo da sua vida concreta o que é esta presença do Deus connosco, de certa forma viu Deus. Quer dizer, no mistério da vida e da vida frágil, da vida pobre que é a vida de Nazaré nós tocamos o mistério de Deus. No rosto de Jesus vemos o rosto do Pai.

P. Tolentino Mendonça

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