Não compliques, ama!

27.º Domingo Tempo Comum (Ano B)
Mc 10, 2-12

P. Jorge Benfica | Comunidade Shalom

Desafio-te:

Acolhe o projeto de Deus com a simplicidade de uma criança!

Descarrega: PDF | Video

Partilha:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus, que, para O porem à prova, perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, 'Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne'. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n'O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».
Palavra da salvação.

(Mc 10, 2-12)

No Evangelho que acabámos de escutar, ouvimos os fariseus fazerem uma pergunta desconcertante a Jesus: “Pode um homem repudiar a sua mulher?”. Jesus responde a essa pergunta com uma outra pergunta: “Que Moisés diz na Lei?”. Na Lei está previsto o homem passar uma certidão de divórcio para a sua mulher. Mas a permissividade dessa Lei não está prevista no plano original de Deus. Está prevista, sim, num plano de um coração endurecido: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés prescreveu essa Lei.”.

E Jesus retoma o sonho original de Deus e apresenta, novamente, qual é o projeto de Deus para o homem e para a mulher. De facto, é serem uma comunidade de amor estável, insolúvel e, a partir desse encontro, do homem e da mulher, formarem uma só carne. E se é uma só carne, é partilhar a vida juntos em comunhão plena de amor, olhar na mesma direção, doando-se mutuamente, partilhando tudo para assim serem verdadeiramente felizes. O divórcio não está nos planos de Deus. O divórcio está nos planos de um coração mesquinho, individualista e que vê nessa possibilidade uma solução para todos os problemas. Para um casal cristão, o divórcio não é uma solução que está em cima da mesa. Para um casal cristão, o amor é a solução para todas as coisas. O amor de Deus vivido na comunhão mútua, na entrega mútua do casal. Só quem é capaz de viver a plenitude desse amor, é que pode entender a lógica de Deus, é que pode entender o projeto de Deus para a vida humana: serem verdadeiramente felizes. Só um coração livre e simples é capaz de abraçar este projeto.

No final deste Evangelho, temos uma outra cena. Parece que não tem nada a ver com a cena anterior, mas tem tudo a ver. Apresentam crianças para Jesus abraçar e abençoar. E os discípulos não deixam as crianças se aproximarem. Mas é uma cena tão bonita e terna… Jesus abraçando as crianças, acolhendo-as, dando a sua bênção... E coloca a criança como um modelo do discípulo. Quem não acolhe o Reino como essas crianças, não pode entrar no Reino de Deus. Quem não se faz criança, não consegue entender a lógica de Deus. Coração simples, livre como o das crianças que é simples, que vai com qualquer pessoa, que consegue abraçar todas as pessoas e diz aquilo que lhe vem do coração.

Somos convidados a ser como crianças para acolher a lógica de Deus e abraçar o projeto do Reino. Só um coração simples e livre é capaz de entender o sonho de Deus, a lógica de Deus para todas as pessoas. Esse é o desafio que brota das leituras deste domingo. Este é o desafio e o convite que brota deste Evangelho. E aí, seremos como crianças para acolher o Reino de Deus?

P. Jorge Benfica

Newsletter

Subscreve já a nossa newsletter e recebe em primeira mão cada novo episódio.