Mostra-te!

29.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 18, 1-8

Madalena Fontoura | Servita Nossa Senhora de Fátima

Desafio-te:

Qual é o teu maior desejo que nada pode satisfazer? Pede a Jesus nas tuas orações: se estás aí, mostra-Te!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».
Palavra da Salvação.

(Lc 18, 1-8)

Imaginem uma coisa que vocês quisessem mesmo muito… Sei lá… Um jogo, uma viagem, uma roupa. Imaginem que vocês estão no vosso quarto, antes de dormir, à noite, a pensar como é que vão convencer o vosso pai a dar-vos. Imaginem que acordam de manhã, no dia em que talvez estivessem a pensar: ”Não, mas hoje não tenho coragem”. E o pai chega ao pé de vocês e diz: “Oh, filho, pede! Mas porque é que não pedes? Olha, pede! Pede porque não só tenho vontade de te dar como vou-te dar mais depressa do que julgas”. Não, não era um sonho. Não, não era uma alucinação. Havia ali um pai pronto a dar alguma coisa que nós pedíssemos. Coisa estranha…

Então, isso é o acontece neste Evangelho de hoje. Jesus resolve dar um exemplo, um exemplo completamente inacreditável, de uma senhora que está a ser vítima de uma injustiça e que vai pedir a um juiz, um juiz desonesto, que lhe faça a vontade e que ele, só para ela não o maçar, vai dizer que sim.

Então, o problema aqui é que parece que então isto é: a galinha dos ovos de ouro. Uauuu! É só pedir, ter e já está! E na vida é tudo como a gente quer. Mas não é! Porque nesta coisa do pedir é preciso duas coisas: uma é saber o que se quer e a outra é saber que há Alguém que ouve e pode dar. E isso é que é a diferença toda.

Então, a primeira coisa é saber o que se quer. Sim, todos nós sabemos o que queremos, as coisas que queremos comprar, as coisas que gostávamos de ter, as coisas que queremos ter já… Isso todos sabemos! Mas o que desejamos no fundo? Qual é essa coisa funda, última, que quando a gente tem, não quer a seguir outra? Porque as coisas normais que a gente quer, a gente quer e, a seguir, quer outra. Aquela já não quer, porque a seguir quer outra. Qual é essa coisa funda? Diz-me tu. O que é que tu realmente queres? Qual é o desejo mais fundo que tens? Essa é a primeira coisa para que Jesus aponta neste Evangelho.

Mas, a segunda coisa é: será que a gente acredita que Alguém pode dar? Pensem… Nós, hoje, quando rezamos, atiramos a oração lá para cima, naquela base de: “Está aí alguém?”. E essa parte é o que nos faz rezar. No fundo, convencidos que não serve para nada. Toda a gente é capaz de rezar desesperado, se a avó está doente, se temos um exame, assim coisas do limite… Mas, no fundo, no fundo, às vezes, parece que nos sentimos um bocadinho parvos, a falar sozinhos.

Por isso, Jesus disse aquela frase, absolutamente brutal, no final, que é: “E o Filho do Homem quando vier, encontrará ainda fé sobre a terra?”. Então, este é o ponto: se, realmente, nós acreditamos que Alguém está lá, se acreditamos que Alguém está lá…

Então, se calhar, o que vos dizia durante esta semana são estes dois desafios. Primeiro, que cada um de vocês pense qual é o seu desejo maior, que nada pode satisfazer, que nada do que se toca aqui, que nada que permanece ainda para além das coisas que a gente compra e satisfaz. E, em segundo, dizer assim a Jesus, antes de dormir, todas as noites: “Se estás aí, mostra-Te!”.

Madalena Fontoura

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