Less is More

Corpo de Deus (Ano C)
Lc 9, 11b-17

P. Vitor Gonçalves | Paróquia de S. Domingos

Desafio-te:

Esta semana, partilha o que tens e o que és com alguém que não vês há muito tempo.

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Partilha:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». Assim fizeram e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.
Palavra da Salvação.

(Lc 9, 11b-17)

A festa do Corpo de Deus, a Solenidade do Corpo de Deus, que hoje assinalamos, ela tem uma ligação muito profunda com a Quinta-feira Santa. Foi aí que Jesus nos deu esse dom da Sua presença no corpo e no sangue, no pão e no vinho consagrados.

E, de facto, naquele contexto mesmo Pascal, em que tudo nos aponta depois para a Sexta-feira Santa e para a noite de Páscoa, muitas comunidades procuram fazer um pouco de adoração da presença de Jesus, Eucarística, mas normalmente não muito mais do que a meia-noite. E, na tradição da Igreja, esse desejo de uma festa onde se celebrasse aquilo que é a nossa festa sempre dominical, acontecesse, foi germinando em várias experiências. A partir do século XII ou XIII, começa a ser instituída a festa do Corpo de Deus na quinta-feira depois da Solenidade da Santíssima Trindade, do domingo da Santíssima Trindade, tendo passado todo o tempo pascal. E esta festa do Corpo de Deus, traduzida em muitas comunidades mesmo por uma procissão, um gesto público de levar o pão eucarístico pelas ruas e pela nossa vida, remete-nos sempre para o dom da Páscoa e, naquilo que é o Evangelho deste dia, para o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes que nós escutamos no Evangelho.

Nesta narrativa, nós somos também interpelados, porque Jesus perante os apóstolos, que lhe dizem que está uma multidão imensa, que os deve mandar embora, Jesus diz-lhes: “Dai-lhes vós de comer!”. E pergunta-lhes o que é que eles têm. E aqueles cinco pães e dois peixes vão ser o pouco com que Deus gosta de fazer muito quando Lho damos, quando pomos nas Suas mãos. E é sempre assim na nossa vida. Gostaríamos, às vezes, de ter muito para fazer muito. Não é assim o jeito de Deus. É precisamente quando o pouco é tudo e estamos disponíveis para o dar que acontecem os milagres.

Também no mistério deste matar a fome ao mundo, fome de pão, fome de justiça, fome de verdade, também aí nós somos chamados a partilhar aquilo que somos e temos. E, por isso, naqueles gestos que depois acabam por ser tão parecidos com os gestos da Ceia, nós somos interpelados a este mistério da partilha. Como é que somos verdadeiramente generosos? Como é que vencemos a tentação de agarrarmos ao nosso pequenino farnel, pensando que ele até é pouco para nós? E sermos capazes de o partilhar, porque aquilo que comemos em comum é muito mais saboroso.

Por isso, o desafio, muito simples, também para esta semana: que da Eucaristia, que espero que saibamos verdadeiramente apreciar, possamos ter algum gesto de partilha. Quem sabe, convidar alguém para almoçar em nossa casa ou jantar… Alguém até inesperado, alguém que não vemos há muito tempo. Fazer do momento das nossas refeições, um momento também de comunhão, abrindo-nos e partilhando o que somos.

P. Vitor Gonçalves

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