(In)diferencia-te

26.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 16, 19-31

P. Carlos Azevedo | Hospital D. Estefânia

Desafio-te:

Esta semana, não deixes para amanhã o que podes amar hoje!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: 'Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas'. Abraão respondeu-lhe: 'Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo'. O rico insistiu: 'Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento'. Disse-lhe Abraão: 'Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam'. Mas ele insistiu: 'Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão'. Abraão respondeu-lhe: 'Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos'».
Palavra da Salvação.

(Lc 16, 19-31)

Bom domingo, antes de mais, para todos! Estamos a celebrar o vigésimo sexto domingo do Tempo Comum. E, neste domingo, uma cena muito sensível, o Senhor nos expõe a todos nós. Exatamente, a palavra é esta mesma: sensível. Todos, com certeza, ficámos tocados por aquilo que escutámos. Mas, também, todos nós podemos perceber que a grande situação, a que o Senhor nos chama aqui à atenção, tem a ver, não com sensibilidade, mas com a insensibilidade. É, efetivamente, aquele rico avarento, não era sensível ao sofrimento dos outros. A dificuldade e a desgraça do seu irmão, do seu mais próximo até, era algo que lhe passava completamente ao lado. E, muitas vezes, não é tanto o facto de nós não conseguirmos resolver as situações todas que estão mal no mundo, que podem perturbar o coração de Jesus. O que deixa Jesus triste, com certeza, e verdadeiramente nos deve tocar é, exatamente, esta realidade: é aquilo que é bem próximo, que está à nossa porta e que deixamos por resolver, muitas vezes, por indiferença e por insensibilidade.

Será que a tua vida também tem situações destas? Bom, muitas vezes, estamos à espera do amanhã para começar. Pomos tantas condições… Andamos tão distraídos com a vida e, às vezes, está tudo aí, já dito. Já está tudo dito. Eu até creio que, para além daquele que é o grande centro da mensagem deste domingo, que é o que nos pode retribuir a verdadeira sensibilidade é a Palavra de Deus, eu creio que também o teu próprio coração te diz isso, porque no teu coração o Senhor está. E se no teu coração o Senhor está, Ele já te há de dar, com certeza, toda a sensibilidade de que tu precisas para que não deixes que alguma situação bem perto de ti, possa não ter aquilo que é o teu melhor para prover à sua dificuldade. É verdade, também podemos achar que isto não tem a ver, se calhar, muitas vezes, com as nossas próprias capacidades. Mas creio que quando o Senhor nos expõe alguma situação bem por perto, é para que sejamos mesmo nós a darmos uma “partezinha” de nós para podermos aliviar, para podermos, enfim, colmatar, tornar um bocadinho melhor todas essas situações de carência, de dificuldade, de pobreza, enfim, de insuficiência que existem perto de nós.

Este domingo, gostaria de te convidar, exatamente, a isto. Bem perto de ti haverá também situações de gente que sofre, de gente que padece, às vezes, até só de um bocadinho de escuta, se calhar, às vezes, de uma palavra amiga, de uma saudação, que pode ser muito pouco. Não deixes para depois o que podes já fazer hoje, essencialmente, naquilo que diz respeito ao amor que preenche o teu coração.

Bom domingo!

P. Carlos Azevedo

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