Em Flagrante

5.º Domingo Quaresma (Ano C)
Jo 8, 1-11

P. Hugo Gonçalves | Seminário de Caparide

Desafio-te:

Esta semana procura um padre e celebra o sacramento da reconciliação para poderes chegar a esta Páscoa de coração livre.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».
Palavra da Salvação.

(Jo 8, 1-11)

O episódio do Evangelho que hoje lemos, fala-nos da mulher adúltera. Os fariseus trazem à presença de Jesus uma mulher que tinha sido apanhada, em flagrante, a cometer adultério. Para esses casos a lei de Israel é muito clara: essa mulher deve ser apedrejada. Eles trazem-na até Jesus com a intenção de testar Jesus. Será que Jesus vai dar uma sentença diferente daquela que a lei de Israel prescreve? Jesus não orienta a resposta no sentido em que os fariseus esperavam. Ele resolve virar o jogo.

Em vez de se focar no pecado da mulher, Jesus fá-los olhar para si mesmos: “Aquele que nunca tiver pecado que atire a primeira pedra”. Nesse momento instala-se o desconforto, gera-se o silêncio e, no meio desse silêncio, aqueles homens olham para si, para o seu próprio pecado, para as vidas que têm andado a viver e, um por um, vão abandonando aquele espaço. Nenhum está em condições de atirar a primeira pedra.

Jesus fica ao lado da mulher. E em vez de a condenar, Ele que seria o único sem pecado, o único que poderia, de facto, atirar a primeira pedra, em vez de a condenar, despede-a. Despede-a, perdoando-a, pedindo-lhe que não volte a pecar. E, por isso, a sentença que tem para dar àquela mulher é a do amor.

No fundo, é assim que Deus sempre olha para nós. Não se foca no nosso pecado. Foca-se no amor que tem por nós. Quer, de facto, salvar-nos. Como nos diz o Papa Bento XVI: “Deus nunca se cansa de perdoar. Nós, muitas vezes, é que nos cansamos de pedir perdão.”. Não seja assim connosco. Que saibamos ir ao encontro de Jesus, ir ao encontro de Deus Pai que é misericórdia sempre que precisarmos deste perdão.

Por isso, o meu desafio para esta semana é esse mesmo: fazermos um exame de consciência sério, procurarmos um padre, celebrarmos o sacramento da reconciliação, para podermos chegar a esta Páscoa de coração livre, liberto dos nossos pecados e das nossas culpas, nesta grande experiência de amor que é o sacramento do perdão.

P. Hugo Gonçalves

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