Duas Curas

28.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 17, 11-19

P. Francisco Martins | Companhia de Jesus

Desafio-te:

Esta semana, põe a mão na consciência. Disponho de cinco minutos para agradecer a Deus os seus inúmeros dons?

Descarrega: PDF | Video

Partilha:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
Palavra da Salvação.

(Lc 17, 11-19)

O Evangelho deste domingo fala-nos de duas curas: uma primeira, e mais evidente, e uma segunda mais subtil mas, diria eu, igualmente importante. Vêm ter com Jesus dez homens que padecem da lepra. A lepra, no tempo de Jesus, como no nosso, mas sobretudo no tempo de Jesus, era uma doença, mas não era uma doença qualquer. Era uma doença que afetava a totalidade da pessoa. É não só uma doença dolorosa fisicamente e que implicava um desfiguração do corpo da pessoa, com tudo o que isso traz, mas esta doença, no tempo de Jesus, implicava também uma exclusão social, uma exclusão do convívio dos homens e, ainda, uma exclusão religiosa. Os leprosos eram, por isso, os últimos dos últimos. Pobres porque excluídos da sociedade. Amaldiçoados porque impuros aos olhos de Deus.

Por isso, quando Jesus cura estes homens, quando Jesus escuta o seu pedido, Ele está a dar-lhes muito mais do que apenas a saúde. Está a dar-lhes uma vida nova. Está a restabelecê-los no lugar que lhes pertence. Está, no fundo, a dizer-lhes de novo e a realizar com a Sua palavra e com os Seus gestos, o eles serem novamente filhos da bênção.

Nesse sentido, esta cura é para nós garantia de que Deus se interessa pelo sofrimento de cada homem e de cada mulher. Deus luta, ao nosso lado, contra toda a forma de sofrimento e de dor e, sobretudo, contra toda a forma de exclusão social e religiosa. O nosso Deus é um Deus de inclusão, é um Deus dos casos perdidos, é um Deus dos últimos dos últimos, é um Deus, que como diz S. Paulo a Timóteo, tem desejo de que todos os homens se salvem.

A segunda cura, como dizia, é mais subtil, mas igualmente importante. E ela toca apenas um daqueles homens curados da sua lepra: o homem samaritano. O único que volta para trás para dar glória a Deus, para reconhecer, prostrado diante de Jesus, o dom recebido da parte de Deus. Este homem é curado dessa doença maior da vida espiritual que é a ingratidão, o não reconhecimento dos dons de Deus na nossa vida. Antes de mais, o dom da vida, o dom da fé, o dom da vocação, mas os inúmeros dons que Deus nos dá no nosso dia-a-dia e que transformam o nosso tempo num tempo de graça e os lugares que habitamos em lugares da salvação.

O convite, por isso, esta semana, é colocarmos a mão na consciência e a pensar se, efetivamente, somos pessoas agradecidas. Olhar para nós, olhar para a nossa relação e perguntarmo-nos: “disponho eu de 5 minutos para agradecer a Deus os seus inúmeros dons?”. Peçamos ao Senhor a graça de ser filhos gratos pelos inúmeros dons recebidos. Pedir-Lhe a graça de, efetivamente, sermos curados desta lepra maior da vida espiritual que é a ingratidão.

P. Francisco Martins

Newsletter

Subscreve já a nossa newsletter e recebe em primeira mão cada novo episódio.