Descansar é divino!

16.º Domingo Tempo Comum (Ano B)
Mc 6, 30-34

P. Carlos Azevedo | Hospital D. Estefânia

Desafio-te:

Tens descansado no teu dia-a-dia? Na tua vida? Se descansares, amas o próximo! Mas o que vais fazer depois desse descanso?

Descarrega: PDF | Video

Partilha:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Palavra da salvação.

(Mc 6, 30-34)

É formidável a atenção que Jesus tem à pessoa toda e hoje o Evangelho revela-nos exatamente isto. Ou seja, Jesus não está só atento àquilo que somos capazes de fazer, com certeza à dimensão da nossa missão, mas também está muito atento à atenção que é a nossa missão para dentro.

E por isso o Senhor nos convida a descansar. Não sei se alguma vez já tinhas pensado que descansar é das coisas mais divinas. O próprio Deus, no antigo testamento, depois de ter feito toda a criação, Ele próprio descansou. Creio que a sociedade hoje em dia é uma das atenções mais importantes que precisa de ter, é exatamente esta, a do descanso. Muitas vezes as pessoas vão para além da sua própria capacidade. E não descansando, não sei se não estarão a cometer pecado mortal. Porquê? Porque se até o próprio Deus nos dá esta ideia de que Ele descansa, quem somos nós, pessoas, para não descansarmos? Tão importante podermos descansar. E hoje, Ele convida-nos com os seus discípulos, a ter essa atenção ao nosso todo. Diríamos que cada um de nós devia ter essa parte sagrada da sua vida, onde devia dar tempo ao descanso. Não sei se alguma vez nos passou pela cabeça que descansar também é missão. Uma missão que temos, para nos restabelecermos, para que depois a nossa dádiva e a nossa entrega aos outros possa ser efetiva, possa ser concreta, mas possa ser, essencialmente, bonita, agradável, amorosa.

Nós somos, efetivamente, convidados hoje, pelo Senhor, a fazer esta experiência do descanso. Descansar, efetivamente, é também amar os outros. Será que muitas vezes na nossa vida, este tempo é efetivamente tido como um dos mais importantes? Afinal de contas, é importante amar o próximo, mas também é importante amarmos a nós mesmos. E como é que eu poderei amar o próximo se antes não me tiver amado a mim mesmo? O Senhor, neste trânsito que faz com os seus discípulos, convida-nos exatamente a este equilíbrio de vida, uma vida que é capaz de se dar. Cuidar e cuidar-se.

No entanto, temos ainda aqui um enormíssimo desafio: é que esse descanso, é meio, não é fim. E a certa altura, percebemos que os discípulos, juntamente com o Senhor, são novamente convidados a poderem partilhar-se, dar-se a si mesmos. Mas o que seria se tivessem que se dar, sem que antes tivessem recebido? Vale a pena pensar também um pouco nisto. Até que ponto, cada um de nós é capaz de receber para dar. Creio mesmo, não sendo nós fonte, que precisamos tanto disso mesmo, deste tempo de encontro, de descanso, de retemperar a nossas energias, para que depois então nos possamos dar com toda a força, com todo o ânimo. Não é só dar, é darmo-nos bem, é darmo-nos com alegria, é darmo-nos com entusiasmo.

Um bom domingo para todos.

P. Carlos Azevedo

Newsletter

Subscreve já a nossa newsletter e recebe em primeira mão cada novo episódio.