Confessa-te!

32.º Domingo Tempo Comum (Ano C)
Lc 20, 27.34-38

Madalena Fontoura | Servita Nossa Senhora de Fátima

Desafio-te:

Esta semana, vai ter com um padre, pede-lhe para te confessares e reencontra-te com Deus.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e começaram a interrogá-l’O. Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».
Palavra da salvação.

(Lc 20, 27.34-38)

Qual é a pergunta típica de todos os professores? Façam perguntas! Ponham dúvidas! Apresentem questões! Participem! Bem, acho que do ensino básico, ao secundário, à universidade todos ouvimos estas coisas dos professores. O que é que nos acontece? Para já, para fazer perguntas é preciso ter estudado alguma matéria, que nem sempre é o caso. Depois, o problema é que nós, às vezes, perguntamos para exercer o gosto de falar. Ou então, perguntamos para dar “show” aos nossos colegas ou para “entalar” o professor.

O Evangelho de hoje fala de uma situação dessas. Não era uma aula, mas era uma situação dessas. Jesus, que estava ali sempre pronto para responder às perguntas, respondeu a perguntas incríveis da parte de pessoas mesmo em aflição… E, de repente, fazem-lhe uma pergunta que é só para entalar: “Então, como é que é?”. Uma cena inacreditável! Uma senhora que enviuvava sete vezes e depois o marido ia morrendo e ela ia casando com o irmão… E o marido ia morrendo e ela ia casando com o irmão… E, depois, na vida eterna quem era o marido dela? Um disparate! Porque não havia nenhuma pessoa que estivesse uma situação daquelas. Era só, só, só para maçar Jesus!

Então, a primeira coisa que eu retiro disto é: perguntar é uma coisa muito séria, porque perguntar tem a ver com desejar dar um passo mais, para aquilo que a gente conhece. E, por isso, a pergunta verdadeira é aquela que cala, no fundo, aquilo que a gente gostava realmente de saber, aquilo que a gente não conhece e gostava de saber. E nós, sobre Deus, temos mais dúvidas que certezas. Isto é que é! Onde é que Ele está? Como é que Ele é mesmo? Será que Ele nos ouve?

E, por isso, a primeira grande questão é que sobre Deus e a religião, em vez de a gente perguntar “Quanto dinheiro é que tem o Vaticano? E de que cor são os sapatos do Papa?”, que a gente tente saber ao fundo, ao fundo, o que a gente queria saber sobre Deus. Essa é a primeira pergunta. E, depois, a resposta? Qual é que é a resposta? A resposta de Jesus tem duas coisas. Uma, é que Ele começa a dizer que as pessoas no Céu nem se casam nem se dão em casamento e são como os anjos. Primeiro pensamento nosso: “Que seca! Então no Céu, pronto, não há maridos nem mulheres? O que é isto?”. Então, a primeira coisa é: “E se ouvíssemos Jesus? E o que é que será essa vida eterna que não é assim segundo as nossas medidas? Que não é desta maneira…”. E acho que é uma maneira de a gente perceber que aquilo nos interessa. Aqueles de nós que já tiveram a experiência de uma pessoa muito querida que lhes faltou, uma pessoa que morreu… Podem ser os avós, mais velhinhos… Mas pode ser outra pessoa próxima. E quando a gente tem a experiência de uma pessoa que nos faltou, que alguém nos diga que está viva, isso é uma coisa séria. Oiçam amigos! Acabem com a cena da estrelinha: “a tua mãe, a tua tia, a tua amiga é uma estrelinha que está no Céu”. Que treta! Mas isso nem para crianças! Não é uma estrelinha no Céu. Das duas uma: ou aquilo que nos morre está vivo ou não está! Então, Jesus apresentou-se como um deus de vivos. O Seu Pai é um deus de vivos. Então, que essa ideia da vida nos desafie! Eu acho que é o grande desafio deste Evangelho.

Tarefa para esta semana: a tarefa que vos proponho para esta semana, tem a ver mas não tem… Nós estamos a quinze dias do fim do Ano da Misericórdia. O Papa teve esta ideia de fazer um Ano da Misericórdia. Sabem o que é que quer dizer misericórdia? Já devem ter ouvido mil vezes em todos os grupos onde andaram. “Misere” e “cordia”: um coração que se debruça sobre a nossa miséria. E oiçam! Vocês não me venham com conversas! No fundo, o que a gente deseja, cada um de nós, o que a gente deseja é que ninguém repare nos nossos defeitos e que nos aceitem, sobretudo, pelas nossas qualidades. E isso faz-nos andar aflitos com a culpa das coisas que realmente fizemos mal. Existe uma coisa chamada confissão, que é Jesus que nos chama, que nos abraça e que nos faz começar novos.

Por isso, o meu desafio para esta semana é: seja onde for onde vocês estão, seja onde for que esteja o ponto da vossa fé, procurem um padre e confessem-se. Cheguem ao fim do Ano da Misericórdia, tendo feito este passo que, no fundo, e aqui já liga com o Evangelho, é uma confiança na vida eterna, porque só na fé se pode dizer misericórdia. Quem é que à face da terra, limpa e reduz a zero as coisas más que a gente fez? Quem é que reduz a zero os nossos erros? Quem é que reduz a zero os nossos pecados? Só com a fé na vida eterna é possível chegar a um padre e dizer: “Senhor Padre, hã, hum, hum, hã… Acho que gostava de falar consigo...”

Madalena Fontoura

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