Amizade... Para o Bem

15.º Domingo Tempo Comum (Ano B)
Mc 6, 7-13

P. Ricardo Cardoso | Seminário Menor de Évora

Desafio-te:

Olha para os teus amigos, revê as motivações dessa amizade.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.
Palavra da salvação.

(Mc 6, 7-13)

É frequente olharmos a fé do ponto de vista vertical: a minha relação com Deus. É curioso que o Evangelho que acabámos de escutar, nos mostra como a vivênvia da fé também pode ser feita de uma forma horizontal. Nomeadamente, através da amizade. Curioso, como o Evangelho que acabámos de escutar nos revela que a amizade nos poderá fazer missionários: homens comprometidos com o mundo. E, obviamente, homens comprometidos com Deus.

Jesus chama discípulos para anunciar, para ir ao encontro do mundo, para O levarem ao mundo. Mas escolhe dois a dois. Manda-os sem nada, apenas com o bastão. Fixemo-nos sobretudo nisto: homens com amizade e apenas fortalecidos pela fé. A amizade, normalmente, é compreendida de um ponto de vista egoísta, ou seja, eu tenho os meus amigos, tu tens os teus amigos. Os meus amigos devem corresponder àquilo que eu quero, àquilo que eu penso, àquilo que eu necessito. E hoje o Evangelho mostra-nos precisamente o contrário. A amizade, para um cristão, é um dom imenso. Mas não para mim próprio. Para levar algo aos outros. Para me dar aos outros. Em primeira mão, àquele que é o meu amigo. Por outro lado, àquele mundo a que o próprio Deus me envia. A amizade que nos fala o Evangelho, mostra-nos que devemos fortalecer aquilo que são os nossos laços à luz da fé, que é o verdadeiro bastão que nos faz caminhar nesta vida.

Jesus mostra-nos, no Evangelho, como deveremos ir às casas, permanecer nelas. As casas, na verdade, são as vidas de cada um de nós. Nós somos uma casa que alberga a presença de Deus. Mas também somos enviados a casas concretas, a vidas concretas. A amizade que nos une no grupo de jovens, nos escuteiros, na catequese deve-nos levar a isso mesmo, a encontramo-nos uns com os outros porque a raiz e o princípio é sempre o mesmo: Jesus. E porque Ele nos reúne, porque nos faz entrar em amizade com Ele, então, essa amizade, porque é bem vivida, tem de ser levada aos outros, tem de transbordar, tem de ir à casa dos outros, tem de contagiar os outros, contaminá-los com o bem. Por isso, o Evangelho de hoje mostra-nos como a amizade, para um cristão, é um lugar de bem.

P. Ricardo Cardoso

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