3.º Domingo da Páscoa

3.º Domingo da Páscoa (Ano A)
Lc 24, 13-35

P. José Miguel | Seminário dos Olivais

Desafio-te:

Desafio-te a reflectir ao longo da semana:

  • Será que estás a alimentar-te do Corpo de Jesus?
  • E os teus pensamentos, aquilo que tu procuras fazer, é imitar Jesus?
  • Cuidas do Corpo de Jesus como cuidas do teu próprio corpo?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n'O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n'O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
Palavra da salvação.

(Lc 24, 13-35)

Temos hoje, acabamos de ouvir um Evangelho muito bonito, uma passagem muito bonita do Evangelho que é dos discípulos de Emaús. Neste grande tempo que é a Páscoa, este longo dia que se estende por 50 dias até ao Pentecostes, esta experiência dos discípulos de Emaús.

Vemos que Jesus se aproxima deles, indo eles em caminho. Mas não é um caminho qualquer. Eles vêm saindo de Jerusalém, de regresso para Emaús, mas vêm afastando-se de Jerusalém. Ora, a história da Salvação tinha sido anunciada, que os grandes momentos da história da Salvação aconteciam em Jerusalém, nenhum profeta seria morto fora de Jerusalém. Jesus Cristo é em Jerusalém que morre e ressuscita. A grande novidade, a grande notícia da Salvação da humanidade acontece em Jerusalém e eles vêm para fora de Jerusalém.

E o que é que nós vemos? Jesus vem ao encontro da Sua caminhada, revela-Se e fá-los regressar a correr a Jerusalém. Eles regressam. O encontro com Jesus fá-los regressar a Jerusalém. Aí onde os acontecimentos verdadeiramente importantes se realizam e de onde se parte para depois ir anunciar ao mundo inteiro. É assim que Jesus também vem à tua vida. Nos caminhamos por onde andas, nos caminhos por onde eu ando, nos caminhos por onde andamos, Jesus aproxima-Se, revela-Se, recentra-nos, faz-nos virar quando é necessário o sentido da nossa existência, para que não nos afastemos dessa novidade jubilosa que é a vida nova de Jesus Cristo Ressuscitado para o mundo.

Como é que aceitamos essa revisão das orientações, dos rumos, dos sentidos, dos projetos em que estamos envolvidos, em que tu estás envolvido? Deixas que Jesus de facto ao aproximar-Se dos teus itinerários, dos teus percursos possa ser Ele a tomar o leme e a orientação do caminho?

E depois vemos como Jesus se dá a conhecer… Primeiro pegando em toda a Escritura, explicando o que nas Escrituras era dito acerca d'Ele e fazendo essa caminhada interior. Não é apenas uma caminhada geográfica é, sobretudo, uma caminhada interior. E às vezes nós temos tanta dificuldade em compreender as Escrituras, escolhemos apenas aquela parte das Escrituras que mais nos diz, que mais somos capazes de entender, que mais mexem com a nossa sensibilidade e o desafio que Jesus te faz hoje é reler a Sua vida e reler a Sua proposta e reler a renovação que Ele vem trazer à tua vida, a partir do todo da Escritura, aprendendo a conhecê-Lo progressivamente. E quando não sou capaz de entender alguma coisa, pegar naquilo que é compreensível e deixar que seja Ele na intimidade, na relação, na partilha com os outros a traduzir e a trazer uma luz nova para a nossa vida.

Mas depois o momento decisivo é a fração do pão, quando ao partir do pão os Seus olhos se destapam como que caem as impossibilidades, as dificuldades de reconhecer que afinal Aquele companheiro que tinha chegado era o próprio Jesus. Porquê? Porque o partir do pão é o sinal maior de uma vida feita dom. Onde a presença de Jesus Cristo não é apenas para ser melhor pessoa, não é apenas uma ajuda para que a vida nos corra bem, para que a vida te corra bem. É a descoberta de que a tua vida só é verdadeiramente vivida e abraçada quando ela é feita um dom até ao fim, ao mesmo jeito da vida de Jesus. Porque foi o facto de Ele ter dado até às últimas consequências que permitiu com que a vida d'Ele fosse depois dada por Ele, pelo Pai, no Espírito Santo a todos nós e se torna-se a nossa própria vida, nessa força do Espírito Santo.

E, por isso, é o sinal da Eucaristia, é o sinal do sacrifício Pascal de Jesus, é o sinal dessa entrega de Jesus que se torna para nós renovadora da nossa vida e nos capacita de um olhar novo e de uma vida nova. Desafio-te, esta semana, a poderes fazer a experiência de ir à missa ao longo da semana, alguma vez durante a semana e, quando não puderes, visitar o Santíssimo Sacramento e diante de Jesus, nessa oferta total e completa, decidires o que é que podes rever e ver de maneira diferente na tua vida e agarrar sem fugir como fugiam eles de Jerusalém, mas abraçando a transformação que Jesus vem oferecer-te.

P. José Miguel

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