27.º Domingo do Tempo Comum

27.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 21, 33-43

P. José Miguel | Seminário dos Olivais

Desafio-te:

  1. Tenta entrar no dinamismo de Jesus com gestos de reconcíliação!
  2. Identifica uma pessoa que conheças para quem possas ser dom e levar-lhe esta Pedra Angular que é Jesus!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Respeitarão o meu filho'. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança'. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos'? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
Palavra da salvação.

(Mt 21, 33-43)

E no domingo de hoje ouvimos mais uma parábola de Jesus: a Parábola dos Vinhateiros. Diz-nos o texto que Deus plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e ergueu uma torre, e depois arrendou-a aos vinhateiros.

Em primeiro lugar, temos aqui o cuidado de Deus para com o seu povo, Israel, mas que no fundo traduz o cuidado de Deus para com a humanidade toda. No Antigo Testamento, essa relação começou por ser consciente em Israel, para depois se estender a toda a humanidade. Mas é este cuidado de Deus, esta solicitude de Deus, a cuidar da humanidade. Deus não faz as coisas por menos. Tudo o que Ele puder fazer Ele faz. E, por isso, nós vemos esta descrição com todos estes passos, com todos estes dinamismos, a sebe, o lagar, etc.

E, depois, o Senhor arrenda aos vinhateiros, ou seja, confia-nos o cuidado da Sua obra. A nossa presença, o nosso trabalho, a nossa ação não é, apenas, para tirar rendimento ou para nos realizarmos socialmente, é uma colaboração com Deus na obra, porque Ele a coloca nas nossas mãos. Mas coloca-a como um Dom. Se repararmos, arrendou, não sei se reparastes no texto, mas Ele arrendou e, depois, a seguir, pediu os frutos. Ou seja, deu-nos mas para que vivamos como um Dom que Deus nos dá, para tomarmos consciência dele, para nos apropriarmos dele, não como donos, mas apenas como aqueles que tomam consciência do Dom para poder doar também. Às vezes, isto escapa-nos. Achamos que aquilo que vamos conseguindo, que os nossos projetos, que as nossas relações são coisas nossas, para nos apropriarmos delas e, por isso, destruímo-las. Porque um Dom quando não é doado fica destruído na sua essência mais verdadeira. E é assim… São assim as relações, são assim os bens materiais, são assim os projetos, tudo aquilo que Deus nos dá.

Mas, depois vemos que aquele que não vive os dons como dons a serem doados fica escravo da ambição e fica escravo do apego. E isso gera violência. E a violência traz mais violência. E, por isso, entra-se numa espiral onde já não é importante viver o que Deus dá porque isso é tudo, mas guardar o que se conquistou com medo de o perder. E depois é curioso, não sei se reparaste, que não são apenas os vinhateiros da parábola que respondem com violência. São os próprios escribas a quem Jesus fala e pergunta: “O que é que agora este senhor devia fazer?”. E eles respondem: “Deve mandar matá-los!”. Porque, de facto, há um dinamismo aprisionante daquele que entra na violência, já não é capaz de ver de outra maneira e acha que reagir de outra maneira é injusto, é desadequado, é inoportuno, no mínimo.

Qual é a resposta de Deus em Jesus Cristo? Qual foi a resposta que Deus nos deu, te deu a ti, me deu a mim, nos deu a todos nós? Não foi com violência. Jesus Cristo foi um Dom até ao fim. Ele é o filho da parábola, que já não é uma parábola, é Ele mesmo, que se entrega sem reserva, sem resistência, sem se esconder, sem fugir, sem se guardar. Ele é aquele que se torna a pedra angular, sólida, exatamente porque não fugiu, porque não guardou, não se resguardou, não se agarrou à vida que tinha, mas ofereceu-a até ao fim. E assim torna-se pedra angular para todos nós.

A última frase do Evangelho é um bocadinho desconcertante e pode parecer que, afinal, Deus, no fim, vai pelo dinamismo castigo. Mas, se reparamos, o acento é sempre posto na atitude daquele que acolhe ou rejeita Deus. Não é Deus que castiga. É aquele que tropeça na pedra, por rejeitá-la, é que acaba por perder tudo aquilo que quis amealhar.

Desafio-te, pois, nesta semana, a tentarmos entrar neste dinamismo, procurando estabelecer alguns gestos de reconciliação. Que os nossos laços sejam reconciliados, fazendo de ti um Dom para alguém. Identifica alguma pessoa que conheças para quem possas, junto dela, ser um Dom e, assim, levar-lhe esta pedra sólida, angular, que é Jesus Cristo.

P. José Miguel

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