26.º Domingo do Tempo Comum

26.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 21, 28-32

P. Jorge Dias | Paróquia de Queluz

Desafio-te:

  1. Como podes emendar os teus nãos ditos assim de repente? O que disseste não e podes dizer sim?
  2. Como podes corrigir os teus sins falsos? Aquelas vezes em que disseste sim, mas a vida não correspondeu?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha'. Mas ele respondeu-lhe: 'Não quero'. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: 'Eu vou, Senhor'. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».
Palavra da salvação.

(Mt 21, 28-32)

Olá! Saúdo a todos, em particular aqueles que já começaram a escola e a rapaziada que se prepara para começar a catequese. Retomamos este ritmo novo, mais exigente. Estamos reunidos e acabámos de escutar o Evangelho deste domingo. Jesus conta-nos mais uma parábola. A parábola do pai que tinha dois filhos, mandou os dois trabalhar para a vinha, um disse “sim”, outro disse “não” e deixa-nos a pergunta: Qual dos dois fez a vontade do Pai? Qual dos dois fez a vontade do Pai? O que é isto de fazer a vontade do Pai? Qual é vontade do Pai? Como é que se faz a vontade do Pai?

Vamos por partes. O primeiro disse que não. O que é que nos leva a dizer que não? Creio que muitas vezes o que nos leva a dizer não está ligado ao facto de ouvirmos muito mal a ordem do Pai. Ouvimos mal e, por isso, respondemos também mal. Como é que Deus nos fala? O que é que Deus nos pede? Olhem, de muitas maneiras sabemos isso, não é? Vai rezar, vai fazer os trabalhos da escola, vai-te deitar, vai à missa, vai à catequese e, às vezes, a nossa tentação é dizer imediatamente: “Não! Não vou! Não quero!”. Aquele filho depois arrependeu-se. Para se arrepender é sinal de que repensou, ouviu melhor a pergunta, ouviu melhor a ordem e repensou na sua resposta. É tão bom quando conseguimos admitir os nossos erros. É tão bom quando conseguimos ser grandes a esse ponto. Responder de novo. O “não” que demos ontem não tem que prender a nossa vida para sempre. É verdade que o passado faz-nos ganhar raízes, mas o futuro é que dá sentido à nossa vida. E há muitos “nãos” que são um “sim” e há, muitas vezes, um “sim” que já é um “não”.

Pois, o outro filho disse que sim. Mas, de facto, não foi para a vinha. Quantas vezes nós dizemos que sim. Lembro as nossas Profissões de Fé, lembro os nossos Crismas... Sim, naquele dia de festa sim, mas não muito entusiasmado, porque tivemos vergonha de dizer que não, tivemos vergonha de assumir aquilo que era a nossa vontade. Fomos um bocadinho mentirosos. Dissemos que sim, mas estávamos a mentir. Olhem que a vinha não se trata apenas com “sim, senhora”. Não há nenhuma vinha que dê uva com o dono a dizer “sim, senhor”. É preciso trabalhar. Não há nenhuns trabalhos da escola que apareçam feitos se tu disseres apenas: “Sim, senhor. Vou já fazê-los”. Não há nenhum Padre que se aguente uma vida inteira se aquele “sim” do dia da Ordenação não tiver muitos outros “sins” depois. Não há nenhum casamento que se aguente se aquele “sim” não se concretizar depois noutros “sins”, em cada dia, durante uma vida toda. É preciso que o “sim” corresponda, de facto, a uma vida, entrega, a uma verdade da nossa existência.

Ora, num segundo momento desta nossa reflexão, gostava de meditar contigo aquela frase de Jesus que nos pode assustar: “Em verdade vos digo os publicanos e as mulheres de má vida irão antes de vós para o Reino dos Céus, para o Reino de Deus”. Isto faz-nos pensar que a nossa vida pode dar muita volta. Que aquilo que está mal pode ficar bem e que aquilo que está bem, às vezes, pode ficar mal. Como é que eu me estrago? Como é que minha se pode estragar? Olha, antes de mais pela soberba. Se eu estiver convencido que estou bem, que as minhas respostas são todas corretas, não pode ser. A soberba... Costuma-se dizer a brincar, que a soberba de uma pessoa morre só 3 horas depois da pessoa morrer. Como é que eu me estragos se eu for preguiçoso? Posso começar muito bem o ano escolar, mas, depois, sou preguiçoso, deixo de estudar, começo a ter negativas e posso, mesmo, chumbar o ano. É assim também na minha vida e na minha vida espiritual. Como é que eu me estrago se eu me esquecer daquela necessidade de conversão constante?

Bom, mas Evangelho fala-nos do contrário e é por isso que aqui estamos. Daquilo que é mau e se transforma numa coisa boa. Dos maus que podem transformar-se em bons. Eu que me posso converter. Não importa tanto o sítio onde eu estou. Posso estar mal, mas eu posso tentar ir para um sítio bom. Interessa para onde eu vou. Interessa para onde eu quero ir, qual direção que eu dou à minha vida. Diz-se que os publicanos e as mulheres de má vida, aquela gente muito mal considerada, irão, não quer dizer que já estejam, mas irão antes de vós para o Reino dos Céus.

Então, o nosso passado é o passado, mas a Igreja faz-se também de futuro. Deixo-te apenas duas questões, dois desafios: Como é que eu posso emendar os meus “nãos” dados assim de repente? O que Deus me pediu que eu disse que “não” e posso, se calhar, repensar e dizer que “sim”? E como é que eu posso corrigir os meus “sins” falsos? Aquelas vezes que eu disse que “sim” e a minha vida não respondeu isso. Pede lá à Senhora do “sim” que ela te ajude a dizer “sim” como ela.

P. Jorge Dias

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