24.º Domingo do Tempo Comum

24.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 18, 21-35

P. Vitor Gonçalves | Paróquia de S. Domingos

Desafio-te:

  1. Quais são as pessoas ou as realidades que te custa e que me custa perdoar?
  2. Quais as situações onde é possível por uma palavra, gesto, sinal, mostrar que perdoei e que quero reatar o laço com alguém que me magoou?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: 'Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei'. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: 'Paga o que me deves'. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: 'Concede-me um prazo e pagar-te-ei'. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?'. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Palavra da salvação.

(Mt 18, 21-35)

Olá! O Evangelho de hoje fala-nos de um dos temas mais importantes da pregação e da vida de Jesus: o perdão. E começa com uma pergunta de Pedro, que diz a Jesus: “Se o meu irmão me ofender até quantas vezes lhe hei-de perdoar? Irei até sete vezes?”. É espantosa esta afirmação e esta proposta de Pedro porque sete vezes, a alguém, que nos ofendeu, perdoar, é imenso! Mas Jesus rompe todos os limites e todas as barreiras, e diz: “Pedro, não te direi sete vezes, mas setenta vezes sete”. Dizia alguém um dia, mas setenta vezes sete são quatrocentos e noventa, o que é que isso significa? Significa sempre! E é muito difícil nós imaginarmos que é possível perdoar sempre.

Jesus para contar como isto é mesmo central e importante, utiliza uma parábola: um rei que vem ajustar as contas com os seus servos. E a um servo que lhe devia dez mil talentos - dez mil talentos é uma exorbitância, é na ordem de quase, hoje em dia, dos milhões de euros, era uma coisa imensa - decide, de facto, condenar e exigir esse pagamento. Esse servo pede-lhe que não tenha em conta essa sua falta. Pede-lhe que ele lhe perdoe essa dívida e, espantosamente, o rei faz isso: perdoa-o. Quando sai, esse servo encontra alguém que lhe devia cem denários. Cem denários eram uma insignificância, semelhante a um dia de trabalho. E esse outro servo, e é espantoso como Jesus coloca as duas expressões iguais, faz-lhe o mesmo pedido que ele tinha feito ao rei. Mas este não foi capaz de se compadecer. E mandou-o pôr na prisão até que ele pagasse tudo e à sua família também.

Ora, os amigos desse servo, desgostosos com esta atitude daquele servo que não soube minimamente ser agradecido e perceber que lhe tinha sido perdoada uma falta tão grande, vão dizer ao rei. E o rei vai ter com ele e diz-lhe: “Não, tu não agiste bem.” Jesus diz que assim Deus também procederá connosco se não perdoarmos do fundo do coração aos nossos irmãos.

Queridos amigos, o amor é difícil. O perdão também é difícil. E, de facto, perdoar não é só um desculpar. É algo que recria, no fundo, a relação que temos uns com os outros e é isso que Jesus também nos desafia a experimentar. O perdão começa sempre em nós, na medida em que deitamos abaixo aquela barreira que foi a falta do outro. O perdão, enquanto não o damos, nós estamos prisioneiros. Estamos a sofrer mais, às vezes, até do que o outro. É este reatar de laços e de aliança que o Senhor vem propor como algo possível. De facto, o que é importante: os bens materiais ou a vida da pessoa? Aquele laço que nos deve ligar uns aos outros e que Deus, tão profundamente, em Jesus, nos quis fazer responsáveis. Perdoar é um caminho. É verdade, às vezes é difícil esquecer, até a falta de alguém. Ela é como uma ferida. Mas nós precisamos de aprender que com o amor de Jesus ela pode cicatrizar. E depois torna-se uma vitória, como são as cicatrizes dos guerreiros, dos lutadores, de quem já passou por uma operação.

Vencer é aqui, de facto, vencer pelo perdão. E daí o desafio para esta semana: quais são as pessoas ou as realidades que te custa e que me custa perdoar? Quais são as situações onde é possível, por uma palavra, por um gesto, por um sinal, eu mostrar que perdoei, que quero, verdadeiramente, reatar o laço e a relação com alguém que me magoou? Quais são as realidades à minha volta onde eu posso ser, também, sinal desse perdão, não para dizer grandes discursos, mas para desafiar os que são mais próximos a valorizar o essencial. E o essencial, sempre, é o valor de cada pessoa, que pode mudar, que pode transformar-se. Aquele servo não quis mudar, não soube agradecer. E quando não sabemos agradecer é difícil perdoar.

P. Vitor Gonçalves

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