20.º Domingo do Tempo Comum

20.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 15, 21-28

P. Ricardo Neves | Paróquia do Estoril

Desafio-te:

Desafio-te a fazer um pedido verdadeiramente humilde a Deus!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d'Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.
Palavra da salvação.

(Mt 15, 21-28)

O Evangelho deste domingo apresenta-nos uma história cheia de contrastes. Jesus anda por ali, pelas terras do costume, fazendo milagres, pregando, encontrando-se com pessoas e aparece-lhe uma mulher cananeia. Não era do povo de Israel, não era do grupo, não era da cultura suposta e não era, também, da missão prioritária de Jesus. Aquela mulher é mãe e tem uma necessidade: a sua filha está gravemente doente. E vem-se apresentar a Jesus. E vem-se apresentar pedindo insistentemente a Jesus que cure a sua filha, que dê à sua filha aquilo que uma mãe quer para a sua filha: a alegria, a paz e, neste caso, a cura, a cura profunda da sua doença.

E Jesus tem uma primeira reação estranha para nós, ou para aquilo a que estamos habituados de Jesus. Jesus rejeita a mulher. Não é ela a prioridade da sua missão. São estas as primeiras palavras de Jesus. Jesus usa até uma expressão muito dura: “Quando o dono da casa está à mesa com os filhos não dá comida aos cachorros”. E a mulher num rasgo, por um lado de humildade, por outro lado de profundo amor pela sua filha e, portanto, de urgência pela cura, arrisca a insistência. E a insistência é traduzida numa expressão belíssima e fortíssima: “Mas até os cães comem das migalhas que caem da mesa do dono”. E Jesus como que se rende. Parece que se rende, mas é mais do que isso. Percebemos de Jesus que Ele estava à espera de poder apresentar, a todos, este exemplo de Fé. E o que é que é este exemplo de Fé? É de uma mulher que por amor, por amor da sua filha, da necessidade da sua filha, agarra-se verdadeiramente a Jesus. Agarra-se a Jesus porque sabe que Ele tem força curativa. Agarra-se a Jesus porque sabe que Ele é salvador, é capaz de transformar o mal em bem. Agarra-se a Jesus porque do seu coração nasce um movimento de confiança, de abandono, de certeza que dali vem o que só Deus pode trazer. Dali vem o amor que cura, o amor que redime, o amor que transforma.

Esta mulher merece, por isso, de Jesus o elogio maior que pode haver: “Nunca vi tão grande Fé em Israel”. O que nos diz que a Fé é isto. A Fé é humildade confiante. Humildade que se põe aos pés de Jesus. Humildade que insiste com Jesus. Humildade que não se sobrepõe a Jesus. Mas a Fé é, igualmente, Amor que espera. Amor que sabe donde vem o bem e a vida. Amor que sabe que daquele rosto, daquele Senhor, daquele gesto vem a salvação, vem sempre a salvação, quaisquer que sejam os “timings”, quaisquer que sejam as etapas, quaisquer que sejam as circunstâncias ou quaisquer que sejam, até, os caminhos, por mais sinuosos que pareçam. O Amor é a chave da Fé.

Por isso, neste domingo, nós metemo-nos aqui à boleia da cananeia. À boleia, pedindo assim uma Fé tão simples e tão ousada, uma Fé realmente agarrada a Jesus e não simplesmente às circunstâncias doutrinais que Jesus nos proporciona. A cananeia é, de facto, uma boa mestra para a nossa Fé.

P. Ricardo Neves

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