2.º Domingo da Páscoa

2.º Domingo da Páscoa (Ano A)
Jo 20, 19-31

P. Jorge Dias | Paróquia de Queluz

Desafio-te:

Como podes dar testemunho e mostrar os sinais do amor de Jesus, no teu grupo e na tua comunidade?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei».Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
Palavra da salvação.

(Jo 20, 19-31)

Acabamos de escutar o Evangelho do 2º domingo da Páscoa. É conhecido certamente da maior parte de nós.

Antes de mais, gostava começar por dizer que estamos em tempo Pascal. A Páscoa não acabou ainda, não foi o dia da Páscoa. São agora 50 dias, 50 dias de festa, de alegria. A Quaresma foram 40, mas agora a alegria, a festa é um tempo maior. E este Evangelho, aparece nesse contexto: Jesus ressuscitado aparece aos discípulos.

Partilho convosco, 4 ideias que me têm ajudado também ao longo da vida, a ler e a meditar este Evangelho.

- Primeira ideia é que a Igreja está reunida, mas está cheia de medo. Jesus aparece ressuscitado, as portas estão fechadas e eles estão com medo dos judeus. Claro. Sabiam o que tinham feito com Jesus. Tinha sido preso, tinha sido injustamente condenado, tinha sido morto e eles eram os amigos de Jesus, eram os seguidores de Jesus. Por isso podia-lhes acontecer o mesmo que tinha acontecido ao seu Mestre e eles não sabiam ainda da ressurreição por isso estavam escondidos, cheios de medo. E é neste contexto que Jesus lhes aparece. E Jesus aparece neste Evangelho e repete pelo menos 3 vezes: "A Paz esteja convosco!". Como nos faz bem ouvir isto! No nosso tempo, também a gente às vezes tem vergonha de ser cristão, tem medo de dizer que tem Fé, que vai à missa. Parece que é assim uma igreja meio escondida, um resto de gente velha que anda por aí… "A Paz esteja convosco" - diz Nosso Senhor. Mais novos ou mais velhos, não tenham medo de assumir a vossa Fé.

- Nosso Senhor dá-nos esta paz, esta serenidade, esta certeza de que venceu a morte. Depois esta paz é concretizada numa segunda coisa, um segundo anúncio. O Espírito Santo. Recebei o Espírito Santo. "Os pecados ficarão perdoados a quem os perdoardes, ficaram retidos a quem os retiverdes". Não sei se nós nos confessámos bem esta Quaresma. Não sei se nós temos consciência de que esta festa só é possível, porque Jesus nos amou, nos perdoou e morreu por causa dos nossos pecados. A ressurreição é a vitória de Cristo sobre o nosso pecado. Recebei o Espírito Santo e os pecados ficarão perdoados. Confessaste-te ou não? Eu sei que somos todos um bocado fugidios à confissão e olha, se calhar estás a tempo… Esta festa da Páscoa é maior para aqueles que reconhecem a sua miséria, o seu pecado. Porque aí podem deixar o Senhor entrar, apesar do medo, apesar das portas fechadas.

- Terceira coisa: Jesus apareceu mas o Tomé não estava lá, sabemos isso. E o Tomé quando lhe foram dizer "Vimos o Senhor!", diz imediatamente "Não Acredito!". Só se lá for pôr o dedo do Seu lado, só se lá for pôr a mão do Seu lado, nas Suas chagas… Tomé não estava lá! Depois o Evangelho diz: "Oito dias depois..." Nós vamos percebendo que a Igreja já estava aqui organizada num ritmo semanal. Os discípulos começaram a reunir-se de oito em oito dias. Domingo a domingo, era o dia do Senhor. E quando Tomé não estava lá, começou a desconfiar. Posso dizer assim numa linguagem para entenderes… O Tomé faltou à missa. E por isso, quando foram dizer-lhe que o Senhor está vivo, ele não quis acreditar, foi incapaz de acreditar. Quando te afastas da comunidade, um dia porque estás doente, outro porque és preguiçoso, outro dia porque não deu jeito, tinhas trabalhos da escola, arranjaste um desculpa esfarrapada… Bom, à medida que te afastas da comunidade, do teu grupo de referência, vais ver que a tua Fé começa a ficar enfraquecida, começas a duvidar, a esquecer até. Por isso aprende com este Tomé que é importantíssimo à comunidade. Depois o Tomé está lá, oito dias depois, ele voltou à comunidade, e o Senhor Jesus aparece: "Anda cá Tomé, não sejas desconfiado, põe aqui a tua mão, põe aqui o teu dedo. Acredita!".

- Por fim, uma quarta ideia que queria partilhar contigo, tem a ver com esta dificuldade que os próprios discípulos tiveram em dizer uma verdade da qual eles já estavam convencidos. Jesus apareceu-lhes, eles tinham a certeza de que Jesus estava vivo mas quando foram dizer ao Tomé, ele não acreditou. É certo que o Tomé não tinha estado, mas se calhar a maneira como os discípulos disseram aquilo, não foi a melhor. Nós não podemos apenas dizer que o Senhor está vivo, temos que mostrar os sinais da sua vida e os sinais da sua vida são os sinais do Amor. Os sinais do Amor foram aqueles onde Tomé pôs o dedo, as Suas feridas, as chagas da mão, o Seu lado aberto. Quando queremos dizer que Jesus está vivo, temos de mostrar os sinais do seu Amor na nossa vida concreta. Como é que Ele nos ama, como é que Ele tem feito caminho connosco. E isso é importantíssimo nos tempos que correm, portanto, quando fores para a escola, quando quiseres dizer aos teus amigos, quando estiveres lá na paróquia, nos vários grupos a dar testemunho é muito importante viveres e perceberes isso. Nós não podemos ser iguais aos outros. Temos que ser diferentes e esta diferença vem de sabermos que Jesus está vivo e por isso a nossa vida tem uma relação, uma história com Ele.

Creio que basta para este Evangelho. Resumindo: que a paz do Senhor esteja connosco mesmo quando estamos mais cheios de medo, que o dom do perdão te ajude a viver na alegria. Não te afastes do grupo, não te afastes da comunidade e vais ver que se isso tudo tiver acontecido vais conseguir dar testemunho, vais conseguir mostrar agora os sinais do amor de Jesus.

P. Jorge Dias

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