19.º Domingo do Tempo Comum

19.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 7, 21-27

P. António Fernandes | Missionários da Consolata

Desafio-te:

  1. Reconhece os momentos difíceis em que Deus esteve a teu lado, Ele nunca te abandona, a fé é um risco quotidiano!
  2. Reconhece que não estás sozinho, encontraste Deus! Dá agora o braço a quem precisa do teu apoio! Não tenhas medo!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão no dia do Juízo: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?' Então lhes direi bem alto: 'Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade'. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».
Palavra da salvação.

(Mt 7, 21-27)

Gosto muito do Evangelho que acabámos de escutar porque me diz muito à minha vida pessoal e à minha experiência de sacerdote e de missionário. E gostaria, contigo, de recorrer esta passagem do Evangelho que hoje a liturgia nos apresenta.

Primeiro, é bonito ver que Jesus saciou a fome das pessoas que estavam sentadas juntamente com os discípulos, repartiu os pães, os peixes, e como o Evangelho começa por esta atitude tão fraternal de Jesus. O quanto é importante que aprendamos a nos sentar juntos para nos saciar a fome mutuamente! Jesus e os discípulos partilharam tudo aquilo que tinham. Partilharam os pães, os peixes e não tiveram medo de partilhar tudo isso com esta multidão que estava sedenta de fome, que necessitava do alimento quotidiano.

Mas mais bonito é que esta fome do pão quotidiano só pode ser saciada quando seguimos também o caminho que Jesus seguiu. Não sei se reparaste, mas depois que Jesus saciou a fome da multidão, subiu ao monte para rezar, para agradecer, para estar em silêncio consigo mesmo. Na nossa vida fazemos tantas atividades e, muitas vezes, somos o centro dessas atividades. Não somos capazes de dar espaço a Deus, não somos capazes de dar o protagonismo da nossa ação a Deus. E Jesus hoje ensina-nos algo extraordinário: é importante fazer, é importante estar junto dos outros, é importante amar, mas é importante ouvir quem nos ama e quem nos ajuda a fazer com qualidade, o que temos que fazer. Já reparaste que muitas vezes a nossa ação não é feita com qualidade, porque talvez não encontrámos o centro da nossa vida? Talvez não ouvimos o que Deus tinha para dizer. Agradece, encontra tempo para ouvir Deus. Saibamos seguir o caminho de Jesus. Façamos, saciemos a fome, aproximemo-nos de quem precisa, mas tenhamos a coragem também, juntos, de ir ao encontro de Deus, de subir a montanha para estar perto d'Ele.

Mas depois que subimos a montanha, depois que estivemos perto de Deus e nos encontramos com Ele na oração temos uma certeza absoluta: as vicissitudes, as dificuldades fazem parte do nosso caminho. Pedro mostra-nos essa parte. Somos cristãos, descobrimos Deus, tu e eu muitas vezes manifestamos essa alegria, mas vai haver momentos, em que, como Pedro, duvidamos. Duvidamos porque a fé é um risco. Imagina que tu e eu somos convidados a percorrer este risco. No meio das adversidades, no meio das dúvidas, quantas vezes me custa a mim acreditar e a ti, talvez, cheio de dúvidas, mas uma certeza: Deus nunca te deixará. Deus está perto de ti. Lindíssimo, porque Jesus continua dando apoio aos discípulos e dá a mão a Pedro. Não tenhas medo da dúvida. Não tenhas medo de arriscar. Simplesmente, acredita que Deus é fiel ao seu projeto. É fiel porque está e dá o pão a quem necessita. É fiel porque sabe ouvir o seu Pai, sabe encontrar espaço para ouvir o que é importante e fazer, com profundidade, tudo aquilo que nós temos. Mas também é bonito poder perceber que Jesus e Deus está ao teu lado.

No meio de tantas dificuldades que temos, no dia-a-dia... Eu gosto muito de pensar esta atitude da fé como um risco quotidiano, um risco onde sabemos que Deus nunca nos abandona. Que bonito poder contar com isto. Tu e eu não estamos sós. Tu e eu temos um amor de Deus muito grande. No meio das adversidades, no meio das turbulências da nossa vida, das nossas inquietações quotidianas, há uma certeza: Deus está sempre disponível a dar-nos o braço. Como Deus está disponível, não tenhas medo também de dar o braço, de dar a tua vida a quem necessita e que está, neste momento, a necessitar do apoio teu, porque tu encontraste Deus e Deus continua contigo para que possas encontrar todos os outros irmãos que Deus coloca ao nosso lado.

P. António Fernandes

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