18.º Domingo do Tempo Comum

18.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 14, 13-21

P. Nuno Branco | Jesuítas

Desafio-te:

  1. Recorda uma situação em que arriscaste, porque alguém insistiu... julgaste não ser capaz... Mas que afinal conseguiste!
  2. Pensa qual é a coisa, qual é a situação, na tua vida onde podes arriscar mais... dá-te a conhecer, mostra quem és... Não tenhas medo, experimenta, arrisca!

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n'O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Palavra da salvação.

(Mt 14, 13-21)

Então acabámos agora de ouvir esta passagem de S. Mateus e eu começo por propor assim um exercício de imaginação. Se quiserem até podem fechar os olhos ou não. Mas, o exercício de imaginação seria este: com os dados que temos na mão, com aquilo que já ouvimos desta passagem, podemos imaginar este anoitecer, fim de tarde, a pôr-se o Sol e Jesus a afastar-se, cada vez mais afastado das cidades, juntamente com este grupo de apóstolos e a multidão constantemente atrás de Jesus e deste grupo. Por todos os sinais que Jesus vai fazendo, seduz e encanta esta multidão que o persegue.

Acontece que no meio desta confusão os apóstolos começam-se a aperceber que esta multidão é uma multidão de facto numerosa. São cinco mil pessoas. E os apóstolos começam ali a dar um toque a Jesus, a pensar: “espera aí, este homem tem de estar consciente do que se está aqui a acontecer. Nós estamo-nos a afastar das cidades, está a anoitecer, é preciso alimentar esta multidão, porque não vai ter tempo de comprar alimento” e, então, aproxima-se de Jesus dá-lhe um toque: “Olha lá, são cinco mil pessoas, não vamos conseguir, manda-os embora porque eles têm de comprar o que comer, o que jantar, o que for, não é?”. E Jesus tem esta pergunta: “O que é que há?”. Um deles responde: “Olha, temos aqui cinco pães e dois peixes”. E a resposta Jesus podia dizer realisticamente: “Olha, afinal não dá… Tens de mandar esta gente embora”. Não. E diz: “Então, dai vós mesmos de comer”. Estão a ver aqui o embaraço deste grupo de apóstolos… “Como é que eu vou dar de comer a esta multidão com o que tenho, com o nada que tenho?”.

A primeira frase com que podíamos ficar seria esta: cinco pães para cinco mil pessoas. Esta desproporção, esta desmedida, que não passa pela cabeça de ninguém, não é? Só mesmo pela cabeça de Jesus que percebe que aqui vai acontecer uma coisa extraordinária. Depois esta expressão também de Jesus: “Trazei-mos cá!”. Ou seja, Jesus aproveita sempre o que há. Não se lamenta, não… Aproveita!

Então o que é que eu propunha agora? Primeiro, aquilo que Deus nos pede é sempre, sempre, sempre, sempre superior às nossas capacidades e às nossas forças. Basta uma atitude de levar até Jesus o que temos e o que somos. Que não é menos exigência, mas é o que tenho e o que sou, passando por Deus, multiplica-se e dá de comer a multidões. Basta que nós arrisquemos com fé e com confiança e com esperança. E não ter medo destes gestos de humor de Jesus. Deus também tem aqui um humor e põe-nos à prova, não é? Na nossa vida, coisas que a gente julga que não somos capazes de fazer, coisas que nos pedem, diariamente…

Então, olha, eu vou propor assim dois exercícios. O primeiro é este: vou recordar uma situação em que eu arrisquei, julguei-me não capaz de fazer tal coisa, sei lá, coisas que nos pedem e eu arrisquei e afinal consegui. Acho que pode-nos fazer bem assim recordar um episódio em que alguém me pede uma coisa e eu ”eh, isto não vou conseguir” e que arrisquei. Arrisquei porque alguém insistiu, porque alguém teimou, porque ”faz, vá, avança!”. Recordar assim um episódio e ver como eu afinal se quero sou capaz, não é? Se quero e confiando em Deus sou capaz.

Segundo exercício é este, que é: qual é aquela coisa, seja em casa, no meu grupo de amigos, seja no grupo de catequese, o que for, em que parte da minha vida, assim concreta, eu posso arriscar mais? Na realidade vens aqui com medo? Dar-me a conhecer, mostrar o que sou, quem sou… Às vezes, ou por vergonha ou por timidez ou pelo que for, onde é que eu posso arriscar mais? Pensar assim numa coisa concreta e, nesta semana, experimentar, não ter medo… Arriscar!

P. Nuno Branco

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