15.º Domingo do Tempo Comum

15.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Mt 13, 1-23

P. José Miguel | Seminário dos Olivais

Desafio-te:

  1. O que é que em ti é circunstancial?
  2. Que é que podes mudar, transformar, eliminar, abraçar, dar mais prioridade ou relativizar?
  3. Reza esta semana todos os dias esta oração: Deus me conceda, serenidade para aceitar o que não posso mudar, coragem para mudar o que posso mudar, e sabedoria para reconhecer a diferença.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: 'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure'. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».
Palavra da salvação.

(Mt 13, 1-23)

E como acabámos de ouvir, temos hoje mais uma passagem do Evangelho bastante conhecida. Esta história, esta parábola do semeador, que Jesus conta aos seus discípulos. E a primeira coisa que transparece logo é a liberdade profunda deste semeador. Ele não está preocupado com a semente que se pode perder, se repararmos ele saiu a semear, é o que nos diz o Evangelho. E semeia sempre em qualquer terreno, não está a ver se o terreno vai dar, se não vai dar, se vai ter rentabilidade, se não vai ter rentabilidade… Semeia sempre! Semeia com liberalidade! Semeia com generosidade! É assim que Deus entra na nossa vida e distribui as Suas Graças, os Seus Bens, que te dá os Dons com que te preencheu e que vem ao teu encontro, ao meu encontro, ao nosso encontro, para nos fazer frutificar esses Dons. Gostava de reforçar isto, o primeiro traço deste texto é que o semeador semeia sempre. Não faz depender a sua iniciativa da nossa resposta. Não há nada que tu possas fazer, que eu possa fazer que o faça desistir ou que o faça arrepender-se de semear.

Mas a segunda coisa que também é desafiante neste texto para ti, para mim, para todos é que o fruto, esse já depende do tipo de terreno. E o terreno somos nós, a nossa vida, a nossa existência, esta realidade mais profunda, onde nos encontramos com Deus e diante d'Ele decidimos a nossa vida e projetamos a nossa vida e nos colocamos diante da vida, diante dos outros, diante das relações, diante do mundo. E aí, como ouvimos no texto do Evangelho de hoje, já não é a mesma coisa se o terreno é pedregoso, se o terreno tem espinhos, se o terreno é à beira do caminho ou se o terreno é um terreno bom. Como é que tu cuidas do teu terreno, do terreno do teu coração, do terreno da tua existência, do terreno da tua consciência, do terreno da tua vontade para que a tua vida possa, acolhendo a Palavra de Deus, os Dons de Deus que o semeador deposita nela, posso frutificar segundo esses Dons?

E depois há aqui uma outra coisa, um terceiro elemento que gostava também de partilhar. Se reparaste naqueles terrenos há coisas que são estruturais… A beira do caminho, pois é um caminho de passagem, nunca dará muito fruto; o terreno pedregoso, pois não tem muita profundidade, pois são pedras. E há outras coisas que são circunstanciais… Os espinhos podem ser cortados, podem ser eliminados, o terreno pode ser transformado. Também na nossa vida é assim. Há situações estruturais que nos dificultam a resposta como gostaríamos de dar a Deus, porque temos debilidades, porque temos fraquezas próprias, que não somos capazes de eliminar. Mas há outras que dependem da nossa adesão, do nosso empenho, da nossa liberdade, da nossa decisão para sermos dóceis à Graça de Deus e com a força de Deus podermos ir transformando o nosso terreno para que dê fruto a ação de Deus em nós.

E é muito importante aprendermos a ter a sabedoria para poder distinguir o que é que em nós é estrutural e temos de aprender a viver e a conviver com isso, ainda que oferecendo isso a Deus, para que Deus faça disso o que quiser. E o que é que em nós é circunstancial? O que é que em ti é circunstancial? Podes mudar, podes transformar, podes eliminar, podes abraçar, podes dar mais prioridade, podes relativizar? E ter a sabedoria para aprender a distinguir isto, para poder responder à Palavra que em nós é semeada.

Há uma pequena oração que podes aproveitar para esta semana e que nos ajuda muito a aprender a viver assim na docilidade a ação de Deus. “Senhor dai-me a fortaleza para mudar o que pode ser mudado, a paciência e a prudência para aceitar o que não pode ser mudado e a sabedoria para saber distinguir uma da outra”. Procura rezar isto diariamente e depois traduzir ao longo do dia formas desta oração ser realidade na tua vida.

P. José Miguel

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